
Em 1908, Bauru crescia a olhos vistos — já tinha duas ferrovias — e não tinha cemitério. Os mortos precisavam ser levados até Lençóis para serem enterrados. Foi o coronel João Henrique Dix, comerciante influente da cidade, quem resolveu o problema: doou uma área fora do perímetro urbano para a construção do Cemitério da Saudade.
Dix acompanhou cada etapa da obra. E no dia em que o cemitério ficou pronto, disparou uma carabina no próprio coração.
Por quê? As versões divergem. Uns falam em depressão, em decepção amorosa. Outros — incluindo o historiador Gabriel Luiz Peregrina, de próprio punho — afirmam que o coronel sempre declarou que queria ser o primeiro a ser enterrado ali. E foi.
Neste episódio, Luís Paulo percorre o Cemitério da Saudade — com sua fachada tombada pelo patrimônio histórico — e encontra os túmulos dos personagens que fizeram Bauru ser Bauru: Azarias Leite, o capitão João Batista de Araújo Leite, o coronel Gustavo Maciel. E claro, o túmulo do coronel Dix — com uma mensagem que convida a orar pela sua alma.
Uma história que revela como os personagens que construíram Bauru carregavam, cada um à sua maneira, o peso de um tempo ainda por se civilizar.