
Nossos Bairros
A Evolução Urbana e a Formação das Comunidades Locais.

Cada bairro de Bauru carrega uma história que vai além das ruas e esquinas — são capítulos vivos de como a cidade se formou, cresceu e criou sua identidade.
A Vila Falcão é o primeiro desses capítulos. Fundada em 1906, nasceu como solução para um problema: os trabalhadores das ferrovias não tinham dinheiro para pagar o laudêmio — o imposto que a Igreja cobrava nas terras do patrimônio religioso, que correspondia a todo o centro da cidade. A prefeitura então loteou a antiga fazenda de Maria Falcão Machado, criando o primeiro bairro fora do centro, livre do imposto eclesiástico.
No início era zona rural. Casas de madeira, os famosos bangalôs, onde se criavam porcos e galinhas. Só em 1918 a Vila Falcão foi urbanizada e passou a contar com os serviços da cidade. Dali em diante, virou o coração popular de Bauru: berço da primeira faculdade da cidade (o Instituto Toledo de Ensino, fundado em 1950), da escola centenária Luiz Castanho (segundo grupo escolar de Bauru, de 1925), do Esporte Clube Noroeste (o time do povão, fundado em 1910), do samba da Mocidade e de uma concentração de bares por metro quadrado que não se vê em nenhum outro canto da cidade.
Foi na Vila Falcão também que funcionaram as Oficinas da Noroeste — durante décadas, o maior complexo industrial do Brasil, onde se fabricavam vagões, consertavam locomotivas e até os móveis da ferrovia. Ali está a rotunda onde os trens viravam no fim da linha. Ali nasceu rede de Supermercado , que começou como casa de secos e molhados e virou uma rede estadual. E ali, na Igreja de São Benedito — a segunda paróquia de Bauru —, a população negra da cidade encontrou seu santo padroeiro e sua identidade.
Nesta editoria, entramos nos bairros que formaram Bauru. Das vilas operárias que nasceram ao redor das ferrovias às comunidades que cresceram com o comércio e a fé. Histórias de pertencimento, contadas por quem viveu — e por quem ainda vive.
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