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Crônicas da Cidade

Mistérios e Conflitos que Marcaram Bauru.

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Tiroteios em cartórios no dia de eleição. Prefeitos que derrubaram igrejas na calada da noite. Ameaças de bombardeio aéreo. Coronéis baleados em redações de jornal. Amantes com móveis queimados no meio da rua. Mulheres que ateavam fogo nas próprias vestes por desilusão amorosa. A história de Bauru tem capítulos que a cidade preferiu esquecer — mas que os documentos de época não deixam mentir.

Quem pensa que o passado era tranquilo não conhece os tempos de violência. Nas três primeiras décadas do século XX, todo mundo andava armado. O Código Penal de 1891 era tão brando que, se você matasse alguém e alegasse embriaguez, era absolvido. Qualquer briga de bar virava facada ou tiro. Da Rua Primeiro de Agosto para baixo, onde ficavam as pensões baratas e os prostíbulos, a morte era companheira frequente. Para cima, nos palacetes dos coronéis, não era diferente — só mudava o endereço.

Em março de 1910, um tiroteio estourou no cartório durante a eleição entre Hermes da Fonseca e Rui Barbosa. O prefeito Álvaro de Sá saiu com tiro no pé. O comerciante Zé Candinho levou vários, mas sobreviveu. Sete meses depois, o coronel Azarias Leite — que apoiara o lado vencedor — foi assassinado com três tiros ao atravessar a ponte sobre o rio Bauru. O pistoleiro confessou quem mandou. Ninguém foi preso, exceto ele.

Em 1913, o coronel Manuel Bento da Cruz reuniu capangas e derrubou a marretadas a primeira igreja de Bauru, que atrapalhava o traçado da Rua Batista de Carvalho. O bispo de Botucatu ameaçou excomungar a cidade. Bauru foi interditada dos trabalhos da Igreja Católica — e carregou por anos a fama de cidade amaldiçoada.

Em 1924, os tenentistas da Revolta de Isidoro fugiram de São Paulo e montaram quartel-general em Bauru. Usaram as pedras do primeiro calçamento da cidade para construir ninhos de metralhadoras na Batista de Carvalho, mirando a saída da estação de trem. O governo federal mandou aviões para bombardear a cidade. Só a fuga dos rebeldes para o Mato Grosso evitou a destruição.

Em 1933, enquanto crianças faziam aula de educação física no Rio Batalha, do outro lado a polícia de Bauru era convocada para conter uma revolta em Piratininga. A população queimou a casa do prefeito nomeado por Getúlio Vargas, arrastou os móveis — até o piano — para o meio da rua e tacou fogo. O segurança foi morto.

Eram tempos em que jornalistas eram expulsos da cidade por fundar partidos de oposição, vice-prefeitos incendiavam a casa de amantes por ciúmes, e coronéis levavam tiros na barriga e recusavam dar queixa. Tempos em que o cemitério foi inaugurado pelo suicídio de quem o construiu.

Nesta editoria, mergulhamos nos acontecimentos que marcaram Bauru — investigados com rigor histórico, processos policiais da época e pesquisa de campo. São as histórias que ninguém mais conta, registradas antes que se percam.

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